segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Amamentar!
Este ainda é um assunto delicado. Eu fiz redução de mama há uns cinco anos. Desde então, sabia que poderia não conseguir amamentar. A solução, para mim, era simples: o bebê tomaria leite em pó. Na prática, não foi isso que aconteceu. Logo depois que ele nasceu, vimos que eu não tinha leite como ele precisava. Dos mais de 20 pontos que a mulher tem em cada mama, apenas seis estavam presentes em uma e três na outra. O Gui estava com fome e o pediatra pediu para entrar com o complemento ainda na maternidade. Eu passei por uma consulta no Banco de Leite, quando ainda estava internada, mas precisei retornar na segunda-feira. Na avaliação, a sensibilidade da enfermeira que me atendeu foi surpreendente: você não pode amamentar! Quando saí, o Dú me esperava do lado de fora. Ele perguntou: tudo bem? E eu desabei a chorar. Chorei por umas três horas seguidas. Senti culpa, decepção, frustração. Todo mundo fala que a amamentação é um vínculo. E eu achava que o Gui não me amaria por conta disso. Mãe sente culpa. Parece que isso nasce junto com a maternidade. Minha irmã me encaminhou ao Banco de Leite do CAISM, onde fui infinitamente melhor atendida. O diagnóstico foi o mesmo, mas fui orientada a dar o peito, se me sentisse melhor assim. Foi o que fiz. Eu enchia uma seringa de leite em pó e colocava uma sonda dentro. Pendurava a sonda no pescoço e a outra ponta encaixava dentro da boca dele, no bico do seio. Assim, quando ele sugava, puxava o pouco do meu leite que saía e era alimentado pelo leite da sonda. Alguns dias depois, eu vi que tanto esforço era em vão. Encarei a mamadeira e deu tudo certo. Ele me ama mesmo assim. Eu posso sentir isso. Ele não tem o meu leite, mas tem o melhor de mim.
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